quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Oito da manhã e muito café servido em uma caneca feia de dar dó.

Eu não precisava acordar. Estou de pé porque preciso criar e aprendi que inspiração não existe, o que existe é uma ideia certa na hora certa. No resto, inspiração é bater a cabeça em tijolos até misturar ideia com sangue. É fazer um, achar ruim e fazer de novo só para achar ruim, até desistir de tudo aquilo e mudar completamente o foco. E não gostar também.

Até que no fim você descobre:
there's no such thing as um curto prazo de entrega.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Romance 1.6 - caos

Há muito eu vinha sentindo seu aviso. Agora, o caos estava ali, na minha frente, me dando um tapa na cara.

Bem antes disso, eu estava no bar do hostel, cantarolando Yellow, rabiscando meu moleskine e bebendo uma Guiness. O que me interrompeu foi um barulho abafado que me cortou a linha do desenho e fez borrar o pensamento, a origem dele foi um copo que alguém havia posto com força na mesa pra me chamar atenção. Analisei: era só um líquido transparente (ah, duvidava ser água!) e, considerando aquilo uma oferta, virei aquela dose de uma vez - senti aquilo descer forte, rasgando minha garganta - sem fazer careta. Só depois fui ver quem havia me oferecido a bebida.
- Well, that's something. Want another one? Quem falava era uma mulher (ou menina?) de traços indianos, com um sorriso de dentes bonitos e alinhados.
- No, thanks. But I'd like to know what I've just drank.
- So you have to talk to me to get that information.
- Alright. Respondi com o melhor que pude fazer de um sorriso.
Tomei mais umas três doses daquilo e nunca fiquei sabendo o que era, só que era bom e que me deixava embriagada bem rápido. Também fiquei sabendo que aquela mulher era modelo e tinha nascido no Camboja, ela tecnicamente havia falado da vida toda dela, mas eu só cheguei a pegar isso do todo, de resto eu só acenava com a cabeça e sorria. Acho que, além da bebida grátis, o que me interessou nela foi o falar muito de si mesma sem esperar que o outro correspondesse.

Aliás, acho que nesse tempo que ficamos "conversando" ela só me fez uma pergunta que precisasse de uma resposta:
- I'm going to a party, join me?
Primeiro eu pensei: HELL NO! Eu já estava bêbada o suficiente e podia ir para o meu yellow submarine submergir em um sono profundo. Só que ao olhar para meus rabiscos e ver que o meu desenho era uma boca, seios - que eu conhecia muito bem - mais a frase 'We can be heroes'... Não tinha como me enganar, eu precisava de algo mais forte que aquela água rasgante que eu havia tomado. Subi para guardar minhas coisas, por um casaco e catar alguns poucos pounds e meu documento que estavam guardados na mala.

Pegamos o underground em Bayswater. Não estava cheio, mas isso não impedia que os poucos que estavam ali se sentissem um pouco ofendidos com a pole dance que a modelo cambojana ensaiava pra mim se esfregando naqueles canos vermelhos no fundo do vagão.
- I've just realised that I don't now your name yet, Cambodia girl.
Ela parou de rodopiar e veio sentar ao meu lado; sorrindo, com o rosto bem próximo ao meu, disse que eu podia chamá-la do que eu quisesse e que ela se certificaria que só eu poderia chamá-la daquele jeito e yadda-yadda.
- No, I prefer we get to the first name basis.
- Okay, so call me Greta. How do you want me to call you?
- My name: Clara.
Fomos até a estação de Parsons Green, saímos do metrô e passamos a andar por ruas tranquilas emparelhadas pelas tradicionais casas londrinas - o que me era mais agradável porque eu podia fumar e apreciar a cidade. Não fazia ideia do quão longe havia ido parar, mas pela vontade que eu estava de um cigarro, devia estar consideravelmente longe do albergue. Chegamos em uma casa que parecia tremer por fora, com luzes coloridas escapando pelas janelas e sons abafados querendo explodi-las. Pelo visto, era ali que estava acontecendo a tal festa.
Tocar a campainha parecia inútil e ninguém veio nos receber, Greta simplesmente abriu a porta e entrou me puxando pela mão, o som era tão alto que parecia me empurrar de volta para a rua. Estava tocando um rock meio eletrônico, uma coisa meio estranha que as pessoas dançavam se balançando freneticamente. Ainda me segurando pela mão, ela me guiou no meio da multidão dançante até onde se encontravam as bebidas, misturou o conteúdo de duas garrafas e me entregou um copo, bebi e tinha gosto de uísque. Eu não gostava de uísque, eu não gostava daquela música, eu queria ir embora, eu queria voltar para o Brasil.

Tentei voltar para o meio das pessoas, mas a cambojana me agarrou pelo pulso sorrindo, como se não tivesse reparado minha tentativa de fugir, e foi me puxando para a parte mais interna da casa. Eu devia ter feito ela me soltar, cuspido o uísque e saído dali, só que aquela mão estava firme no meu pulso e pra a minha instabilidade aquilo foi como um carinho, então eu segui. Andamos mais um pouco pela casa até um canto onde algumas pessoas se reuniam sentadas em poltronas e esparramadas pelo chão, Greta foi falar com algumas delas e eu, que não queria falar com ninguém, me joguei em uma das poltronas. Reparei que aquela bebida ruim ainda estava na minha mão e virei o resto em uma só careta; depois acendi um cigarro.

Lembrei de quando tinha tentado parar de fumar com ela. Tinha sido no último inverno, quando ficamos com tanta tosse que mal conseguíamos nos beijar. Conseguimos ficar só uma semana sem cigarros - ou pelo menos foi o que dissemos uma para a outra, porque eu acendia um "último cigarrinho" todos os dias e sabia que ela fazia o mesmo. Foi patético, não eramos mais o mesmo casal sem nossas manias irritantes de  fumantes. É, não eramos mais um casal.
Despertei dos meus pensamentos quando senti alguém sentar no meu colo, era Greta, carregando uma bandeja de prata.
- Want some?
- No, I don't... It's... It's not my kind of stuff.

A verdade é que desde de Pulp Fiction eu tinha medo de terminar em uma poça de sangue e vômito.
- Oh, come on... - Greta jogou a cabeça sobre a bandeja e inspirou, depois virou-se para mim - Go ahead.
E eu fui.

Então eu bebia uísque da garrafa e puxava Greta até onde a música tocava mais alto. Agora eu entendia porque as pessoas se balançavam ouvindo aquilo - e fazia igual. As luzes coloridas pareciam encher a minha cabeça com suas cores e me faziam esquecer até do motivo que tinha me levado à Londres. Devia ser a quinta música que dançávamos quando a modelo passou a se aproximar mais, a dançar se encostando em mim, até que, pondo seus braços em meu pescoço, ela me beijou.

Seus lábios eram finos demais, nossas bocas estavam secas e geladas, era como se eu beijasse areia. Aquele beijo me deixou sóbria. Afastei os braços da garota e saí dali, fui andando tentando me orientar e achar a saída; pouco depois já estava na rua, com o ar gelado castigando a minha pele quente. Me apoiei nos joelhos e respirei ofegantemente, olhei para a rua e não reconheci o caminho que havia tomado para chegar lá, sentindo como se meu corpo inteiro tivesse virado gelo e fosse quebrar a qualquer momento, sentei no meio fio com a cabeça enterrada entre os joelhos. Eu só queria chorar até ficar seca, gritar até a última nota de todo aquele desespero que tomava conta de mim; mas dei preferência a sair dali antes.
Entrei de novo naquela casa e voltei até onde havia deixado Greta, encontrei-a não muito longe já enroscada no pescoço de outra pessoa. Levei-a até a rua arrastada pelo braço.
- You're getting me out of here. Now.
Ela cambaleava apoiada no meu ombro e, sorrindo, perguntou onde eu queria que ela me levasse, respondi que ela podia me levar para qualquer lugar depois que fôssemos ao meu hostel, mas que ela teria que me levar até lá porque não lembrava o caminho. Greta concordou com a cabeça e me guiou pelas ruas, chegamos a um lugar um pouco mais movimentado onde passavam alguns táxis e pegamos um.

A viagem afinal não foi tão longa quanto o esperado e em pouco tempo reconheci o começo da rua do meu albergue, despertei a menina que havia dormido no meu colo e dei as indicações finais ao motorista de onde parar. Segurando Greta bêbada pela cintura, saí do carro.
Ali, na minha frente, eu reconheci o rosto que eu mais desejei ver por meses.
Meus olhos se encheram de água, senti meu sangue sumir do corpo e desacreditei no que estava vendo; até a aparição dizer:
- Oi, Clara.
Ela saiu correndo e eu não soube o que fazer, larguei a menina que estava nos meus braços e soltei toda a minha angústia e desespero em um grito só:
- CAMILA!

Só que ela não parou, então me pus a correr ainda gritando o nome dela, não desisti nem diminui a velocidade até meu braço esticado conseguir alcançá-la. Agarrei sua mão com mais força do que pretendia, mas consegui fazer com que ela parasse e se virasse... Só para me dar um tapa na cara.




Nota: Romance 01 , Romance 1.2, Romance 1.3, Romance 1.4, Romance 1.5

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Já volto, meu amor.

Não, não são só cigarros. Eu tenho que resolver algumas coisas, talvez demore um pouco, talvez demore muito; não sei! Se soubesse eu falaria, juro. Que coisas? Ah, coisas de todos os tipos, coisas minhas. Você sabe. Não, isso você não quer dividir. A gente pode dividir todo o resto, mas isso eu tenho certeza de que você não quer. Agora me deixa ir ali que eu prometo que eu volto. Tento até não demorar muito agora que você pediu.
Mas eu já disse porque você não pode ir junto!
Aiai meu amor... Faz assim: faz lá um café e senta aqui que eu vou te contar um segredo.

Acontece assim: as pessoas tem crises, cada uma com a sua forma de crise e com a sua cura e loucura.
Às vezes eu preciso ficar no meu cantinho, encolhida, olhando só pro meu umbiguinho sujo.

É como se eu fosse uma criança que a mamãe chamou pra dentro porque já está ficando escuro. Se não o bicho mau pega. Eu só estou obedecendo ao chamado. Já vou indo, mamãe!
Dentro de casa o eu criança fica matutando, digerindo tudo o que vejo lá fora pela janela da minha casinha escura. Tento organizar minhas coisas, até desistir e me conformar que vai ser sempre esse "meio bagunçado". Nesse momento eu me perco na minha própria bagunça. Reencontro coisas do passado, replanejo as coisas do futuro, esqueço um pouco do presente.
Preciso me sentir um lixo perdido ali no meio do caos.
Ir fuçar onde está o lixo, recolhe-lo e fazer uma toca com todo o meu lixo.
Me esconder ali embaixo.
Me sentir parte daquilo.
Me entregar completamente ao que está velho, podre, estragado, desgastado. Me reconhecer ali.

Até perceber que eu não sou nada daquilo.
Então eu posso finalmente jogar tudo fora e deixar tudo limpinho. Com toda a certeza que outros lixos irão chegar e vão sujar e vão pesar, mas que agora eu estou leve, livre.

É por isso, meu amor, que eu preciso ir sozinha.
Aquela sujeira é toda minha - talvez sejam até as únicas coisas exclusivamente minhas - só eu posso saber o que levar embora e na hora de emergir eu só tenho força pra carregar meu próprio corpo mole, frágil, cansado e sem casca. Você pode ficar aqui e me segurar a mão quando eu precisar de um pouco mais de força pra sair daquele buraco.
Então fica aqui, com tudo que é bom e puro de mim, que eu vou ali fugir do meu bicho mau, tá bem?
O café já esfriou. Se cuida.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Romance 1.4

Puta frio do caralho. 
Porque quinze graus nunca acontece no Rio de Janeiro, né? E ainda ter que ver aqueles branquelos de dentes tortos andando praticamente de short e camiseta não estava me ajudando em nada. Foi exatamente isso o que eu senti assim que me vi no aeroporto de Londres. Nada de felicidade e deslumbramento. Só frio, raiva, peso na consciência e no estômago - sim, porque, de repente, eu só pensava na gravidade e nas consequências dos meus atos. Também parecia que isso tudo havia tomado forma física no meu estômago e o fazia pesar, embrulhar e me dar outras dessas sensações terríveis.
Nossa, eu nunca odiei tanto Londres. 


Eu costumava amar esse lugar, meu sonho era voltar aqui e, quando o faço, é num impulso idiota e inconsequente atrás dela. Sim, eu, que sempre me jurei que não correria atrás. Nunca. Não só corri, como voei atrás. De avião. Pra outro país em outro continente. Sem ninguém ficar sabendo. 
Nossa, mas eu tava muito fodida. 

A maior pergunta era: por onde começar? Sério, estamos falando de Londres. Ela podia estar em qualquer albergue, hotel, casa de algum desconhecido, dormindo na rua... E têm muitos desses todos aqui! Procurar um por um era maluquice, mas também era o que tinha pra hoje (ou sabe-se lá quanto tempo). Dei fifty pence num mapa e peguei um ônibus qualquer que me levasse para algum canto do miolo da cidade. Não tinha nenhuma moradia pra mim. Afinal, eu fui um gênio e só roubei o cartão da minha mãe pra comprar uma mochila, umas coisas pra viagem e a passagem. Nem se quer pensei em reservar alguma estadia. Eu só fiz um rombo na conta da minha mãe (e ela deve estar me odiando mais por causa disso do que por ter fugido sem explicações). 


De qualquer forma, era por ali que eu acharia algum lugar pra ficar, nem que fosse um banquinho no Hyde Park. Então foi para lá mesmo que eu me mandei depois de comprar um café. Andei um pouco procurando uma vista agradável que eu pudesse admirar quando acordasse de manhã. Foi quando achei um lugarzinho não muito movimentado perto de um laguinho; bonitinho o lugar. Joguei minha mochila numa ponta de um banco e me deitei sobre ele com as costas apoiadas nela, abri o mapa e tomei uns goles de café. 


A desgraça nunca tinha me dado nenhuma pista de lugares favoritos em Londres e, depois de olhar por meia hora o mapa, vi que era completamente inútil continuar naquilo. Também realizei que não dava pra dormir ali no frio. Então me levantei convicta de que arranjaria algum lugar baratinho pra ficar e, assim que pus meus pés no chão, percebi que lá longe, numa linha reta do ponto que eu estava no parque até a rua da frente, tinha um albergue! Não acredito em deus, mas na hora considerei até uma benção divina. Na dúvida em a quem agradecer, pensei em Buda. Sei lá, né... Bem que dizem que em horas de aperto todo mundo se agarra numa religião. 

Conforme fui me aproximando consegui ver uma pessoa com um cabelo super estranho na escada, tranquilamente fumando um cigarrinho e brincando com a fumaça. O clima daquela cidade fazia isso com as pessoas: elas eram estranhas e fumavam. Fiquei seca por um cigarro naquele frio e desviei um pouco do meu caminho procurando onde poderia comprar um. Depois, já feliz e contente com um maço inteirinho só pra mim, fui finalmente ao albergue brincando com a minha própria fumaça, mas a pessoa que eu tinha visto de longe já nem tava mais lá. 


Assim que entrei dei uma topada com um grupo de jovens alegrinhos falando uma língua estranha (eu considerei ser alemão). Daí fui até recepçãozinha e me arrependi no minuto que a atendente virou para mim. Ela tinha olhos pretos, que pareciam duas pérolas negras grandes que encaravam os meus diretamente e pareciam me ler por dentro. Com uma pele morena, um cabelo black power enrolado numa faixa e muitas, várias, lindas curvas. Me apaixonei em cinco segundos. Não sei quanto tempo levei pra retomar a consciência, mas tenho certeza que foi algo em torno de uns deprimentes dois minutos. Dois minutos encarando alguém babacamente. Sério? Ela deve ter percebido isso lendo os meus olhos -porque ela parecia ser totalmente o tipo de pessoa que fazia isso- e talvez, por esse motivo, ela disse tão rápido e secamente que eles estavam lotados. O que fez do nosso diálogo um dos mais curtos e idiotas que eu já tive na vida, mais ou menos isso: 
- Sorry. No vacancy. 
- Errrrrrmmmmm.... Ok, ok, alright. Ok, thanks. 


Depois eu fiz questão de ficar lá, em pé, na frente do balcão encarando a mulher por mais uns segundos até ela me olhar com uma cara de total interrogação e dizer "bye?!". Aí ficou só me encarando com a mesma feição enquanto eu saia tropeçando porta afora. 


Segunda vez que me sentia a pessoa mais babaca do mundo em um único dia. Great. Eu tava mandando muito bem na Inglaterra. Acendi mais um cigarro e sentei ali naquela escada mesmo, não sabia se era numa esperança de reencontrar a morena, da outra acabar passando na minha frente por um acaso ou se era só martírio por ter sido tão deplorável. De qualquer forma, eu precisava pensar em alguma outra coisa pra fazer. Um plano! Até que tomada por mais um impulso, eu voltei pra dentro do albergue, e eu ia falar com a morena. Porque alguma coisa tinha que dar certo nesse raio de cidade! Só que sem encarar a menina disse que precisava muito de algum lugar pra ficar e pedi que ela me indicasse um outro albergue num preço legal. Num sotaque muito estranho e quase que rindo da minha cara, ela falou de um lugar umas duas ruas atrás. Daí eu saí correndo com o rabo entre as pernas me jurando nunca mais entrar naquele lugar. Nope. No way. Damn... Really?! 


Realmente tinha um lugar legal e baratinho numas ruas atrás. Dessa vez quem me atendeu foi um gordinho simpático -daqueles que tem cara de cozinhar bem- que me arranjou uma cama num quarto todo amarelo. Isso mesmo, amarelo, yellow. Eu entrava naquele lugar e já começava a cantarolar Coldplay. Era involuntário e depois de um tempo ficou insuportável. 

Como o quarto tava vazio, não tive nem que socializar. Então só catei meu ipod, o moleskine e uma caneta num canto da mochila, arrumei minhas coisas por ali e fui pro bar do albergue mesmo. Ver se com uma boa cerveja eu conseguia pensar num plano, ou numa maneira que fosse de conseguir encontrá-la em Londres. 

A nossa cidade dos sonhos e uma das maiores cidades do mundo. E ela tão pequena, nem um pouco frágil, escondida atrás de qualquer um daqueles prédios e monumentos históricos. 
Agora que eu já estava ali, eu tinha que achá-la. Nem que fosse pra dizer o quanto que eu a odiava por ter me feito uma lavagem cerebral, me tirado do sério, depois sumido feito covarde e como eu sentia falta do seu corpo quente na minha cama e o seu sorriso de manhã. Merda. Mesmo fumando continuava frio pra cacete.


Nota: Romance 01 , Romance 1.2Romance 1.3

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Ai, vai. Me dá um cigarro, me vê aí uma cerveja gelada.
Eu te peço até por favor.

Aproveita e me dá um bar.
Um pé sujo de esquina, onde eu possa conversar com Marlon, Nelson e Clara.
Vai ver algum deles me dá uma luz sobre a vida. Que eu to tão perdida, tão perdida.

Então, vai... por favor, eu até compro o cigarro. Pago a cerveja (mas só se estiver bem gelada).
Mas me dá o fogo. E me diz cadê esse bar.

Me diz: cadê a vida?