Eu não os chamaria de “dark days”, assim como não chamaria
de “golden days”. Talvez o termo mais apropriado seja mesmo (brincadeiras a
parte) "colorful days".
Too vague, too blur. Era muita luz, muita bebida, muita
gente. Num ritmo que hoje eu não sei se ainda saberia acompanhar. Alguma grana,
um celular e a chave de casa eram tudo que eu precisava – nem um rumo era assim
tão necessário. De roupa, eu vestia minha liberdade e minha coragem.
Sentia como se as ruas fossem tão minhas! E que, ali, nada,
absolutamente nada, poderia me fazer algum mal; afinal, eu era dona de tudo
aquilo: as bebidas quentes e baratas, da rua suja cheia de baratas e das pessoas quentes,
sujas e baratas.
No meio daquelas luzes coloridas meu corpo se sentia desinibido
para seguir o ritmo de um barulho qualquer. Ou dos meus hinos mensais: que
tanto falavam sobre mim naquele dia e depois já eram vazios demais. Mais, mais,
mais. Eu só precisava demais de mais. E cantava, com o punho cerrado pro alto e
berrava “I’M WITH YOU ‘TILL THE END!” porque, no fundo, sabia que não estava
com ninguém.
Acabava que toda manhã eu acordava com a mesma secura na
boca e me jurava que passaria a me cuidar melhor porque lá no fundo no fundo eu
amava a ossatura que me sustenta e tudo que com ela vem.
Mentira.
Não demorava muito e o sistema voltava ao normal. Acontece
que não havia tanto amor assim. Pra me amar, precisava de um motivo: alguém que
gostasse de mim e eu gostasse de volta. Ao ser o bem de alguém e, ao mesmo
tempo, querer o bem de volta, eu cuidaria de mim só pra fazer o bem do outro.
Por isso, eu me apaixonava todas as noites. Tinha histórias incríveis de amor que me duravam tanto quanto uma latinha de cerveja.
Por isso, eu me apaixonava todas as noites. Tinha histórias incríveis de amor que me duravam tanto quanto uma latinha de cerveja.
No fim, eu terminava as noites da mesma forma: esgoelando “CAN
YOU FEEL IT?” quando, na verdade, eu não sentia nada.