quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Colorful Days


Eu não os chamaria de “dark days”, assim como não chamaria de “golden days”. Talvez o termo mais apropriado seja mesmo (brincadeiras a parte) "colorful days".

Too vague, too blur. Era muita luz, muita bebida, muita gente. Num ritmo que hoje eu não sei se ainda saberia acompanhar. Alguma grana, um celular e a chave de casa eram tudo que eu precisava – nem um rumo era assim tão necessário. De roupa, eu vestia minha liberdade e minha coragem.

Sentia como se as ruas fossem tão minhas! E que, ali, nada, absolutamente nada, poderia me fazer algum mal; afinal, eu era dona de tudo aquilo: as bebidas quentes e baratas, da rua suja cheia de baratas e das pessoas quentes, sujas e baratas.

No meio daquelas luzes coloridas meu corpo se sentia desinibido para seguir o ritmo de um barulho qualquer. Ou dos meus hinos mensais: que tanto falavam sobre mim naquele dia e depois já eram vazios demais. Mais, mais, mais. Eu só precisava demais de mais. E cantava, com o punho cerrado pro alto e berrava “I’M WITH YOU ‘TILL THE END!” porque, no fundo, sabia que não estava com ninguém.

Acabava que toda manhã eu acordava com a mesma secura na boca e me jurava que passaria a me cuidar melhor porque lá no fundo no fundo eu amava a ossatura que me sustenta e tudo que com ela vem.
Mentira.
Não demorava muito e o sistema voltava ao normal. Acontece que não havia tanto amor assim. Pra me amar, precisava de um motivo: alguém que gostasse de mim e eu gostasse de volta. Ao ser o bem de alguém e, ao mesmo tempo, querer o bem de volta, eu cuidaria de mim só pra fazer o bem do outro.

Por isso, eu me apaixonava todas as noites. Tinha histórias incríveis de amor que me duravam tanto quanto uma latinha de cerveja.

No fim, eu terminava as noites da mesma forma: esgoelando “CAN YOU FEEL IT?” quando, na verdade, eu não sentia nada. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário